A Viagem do Elefante – Rota portuguesa

A Viagem do Elefante – Rota portuguesa

Diário da Viagem, I

El viaje ha comenzado.

Pilar del Río

Belém, I

O estribeiro-mor, emissário do seu destino, cavalga em direcção a valladolid, já refeito do mau resultado da tentativa feita para dormir em cima da montada, e o rei de portugal, com a sua reduzida comitiva de secretário e pajens, está a chegar à praia de belém, à vista do mosteiro dos jeronimitas e do cercado de salomão. Dando tempo ao tempo, todas as coisas do universo acabarão por se encaixar umas nas outras. Aí está o elefante.

Diário da Viagem, II

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Foto 1 – José Saramago (de costas), Rosalía Vargas (Vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Lisboa) e José Sucena (Administrador-Delegado da Fundação José Saramago).
Foto 2 – Começa a viagem.
Foto 3 – Mosteiro dos Jerónimos.

Belém, II

Aos dez dias desta conversação, ainda o sol mal apontava no horizonte, salomão saía do cercado onde durante dois anos malvivera. A caravana era a que havia sido anunciada, o cornaca, que presidia, lá no alto, sentado nos ombros do animal, os dois homens para o ajudarem no que viesse a ser preciso, os outros que deveriam assegurar o abastecimento, o carro de bois com a dorna da água, que os acidentes do caminho constantemente faziam ir e vir de um lado a outro, e um gigantesco carregamento de fardos de forragem variada, o pelotão de cavalaria que responderia pela segurança da viagem e a chegada de todos a bom porto, e, por fim, algo de que o rei não se tinha lembrado, um carro da intendência das forças armadas puxado por duas mulas. A hora, tão matutina, e o segredo com que havia sido organizada a saída, explicavam a ausência de curiosos e outras testemunhas, havendo que ressalvar, no entanto, a presença de uma carruagem do paço que se pôs em movimento na direcção de lisboa quando elefante e companhia desapareceram na primeira curva da estrada.

Diário de Viagem, III

A caminho de Constância.

Tejo

Podíamos levar os bois até ao rio, deve haver por aí um caminho, Ele não beberia, a água, a esta altura do rio, ainda é salgada, Como sabe, perguntou o auxiliar, Salomão banhou-se uma quantidade de vezes, a última aqui perto, e nunca mergulhou a tromba para beber, Se a água do mar chega até onde estamos, isso mostra o pouco que andámos, É certo, mas, a partir de hoje, podes ter a certeza de que iremos mais depressa, palavra de cornaca.

Constância

Dizem que em Constância nasceu Camões. Ali está o seu nome escrito em azulejos, há um jardim que recorda os seus poemas e reproduz a beleza plástica das rosas ou das árvores que ele amou, ali está a que se considera a sua casa, que é hoje um lugar de cultura aberto à gente jovem e também ao rio, águas mansas que fluem levando olhares e certas nostalgias.

Em Constância há um restaurante que se chama Remédio d’Alma, uma praça, umas ruas de dimensão humana, gente amiga e um Camões de Lagoa Henriques que vê o cair da tarde mas também o mundo que nasce a cada manha.

O Caminho de Salomão tinha que partir de Camões.  Perdão, de Constância, que é terra e é virtude. E é projecto. A viagem começou, continua com ânimo redobrado.

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Castelo Novo

Há mais de 30 anos escrevi:
Castelo Novo é uma das mais comovedoras lembranças do viajante. Talvez um dia volte, talvez não volte nunca, talvez até evite voltar, apenas porque há experiências que não se repetem. Como Alpedrinha, está Castelo Novo construído na falda do monte. Daí para cima, cortando a direito, chegar-se-ia ao ponto mais alto da Gardunha. O viajante não tornará a falar da hora, da luz, da atmosfera húmida. Pede apenas que nada disto seja esquecido enquanto pelas íngremes ruas sobe, entre as rústicas casas, e outras que são palácios, como este, seiscentista, com o seu alpendre, a sua varanda de canto, o arco profundo de acesso aos baixos, é difícil encontrar construção mais harmoniosa. Fiquem pois a luz e a hora, aí paradas no tempo e no céu, que o viajante vai ver Castelo Novo.
Também escrevi sobre pessoas concretas há trinta anos:
A uma velhinha que à sua porta aparece, pergunta o viajante onde fica a Lagariça. É surda a velhinha, mas percebe se lhe falarem alto e puder olhar de frente. Quando entendeu a pergunta, sorriu, e o viajante ficou deslumbrado, porque os dentes dela são postiços, e contudo o sorriso é tão verdadeiro, e tão contente de sorrir, que dá vontade de a abraçar e pedir-lhe que sorria outra vez.
De José Pereira Duarte, uma das pessoas mais bondosas que conheci na minha vida escrevi que olha o viajante como quem mira um amigo que já ali não aparecesse há muitos anos, e toda a sua pena, diz, é que a mulher esteja doente, de cama: «Senão gostava que estivesse um bocadinho em minha casa.»
Hoje estivemos com a filha e o genro de José Pereira Duarte, a velhinha já não está, mas outras pessoas amáveis apareceram em Castelo Novo e voltei a sair com o mesmo espírito de há trinta anos. Se o elefante Salomão por aqui passou, as pessoas que compunham a comitiva terão sentido o mesmo. Acolhimentos como estes não se improvisam.

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Castelo Novo, II

Nascer do Sol numa aldeia

As horas passaram, uma pálida claridade a oriente começou a desenhar a curva da porta por onde o sol haveria de entrar, ao mesmo tempo que no lado oposto a lua se deixava cair suavemente nos braços de outra noite. Estávamos nós nisto, atrasando o momento da revelação, duvidando ainda senão haveria modo de encontrar uma solução mais dramática ou, o que seria ouro sobre azul, com mais potência simbólica, quando se ouviu o fatal grito, Há aqui uma aldeia. Absortos nas nossas lucubrações, não tínhamos dado por que um homem se havia levantado e subido a pendente, mas agora, sim, víamo-lo aparecer entre as árvores, ouvíamo-lo repetir o triunfal anúncio, embora sem pedir alvíssaras, como havíamos imaginado, Há aqui uma aldeia.

Centum Cellas – Belmonte

Um torre de que não se sabe a origem, ali está, no sopé de Belmonte.

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Sortelha

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E, de repente, toldou-se o sol.

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Cidadelhe

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O pálio de Cidadelhe

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Um antigo lagar de azeite

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Casa de habitação abandonada

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Oliveira milenar

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Forno comunitário

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Caminhando

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Castro românico de Cidadelhe

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Vida

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Rio Côa, Ponte da União

Figueira de Castelo Rodrigo, I

Temos de chegar a castelo rodrigo antes dos espanhóis, devemos consegui-lo, eles não estão prevenidos, nós, sim, E se não o conseguirmos, atreveu-se o sargento a perguntar, Consegui-lo-emos, de todos os modos quem chegar primeiro, espera. Tão simples como isto, quem chegar primeiro, espera, para isso não era preciso que o secretário pêro de alcáçova carneiro tivesse escrito a carta. Algo mais haverá.

Vamos, homem, espevita-me esses bois, gritou, castelo rodrigo já está perto, não tarda muito que possamos dormir uma noite debaixo de telha, E comer como gente, espero, desabafou o boieiro em surdina, para que não o ouvissem. Em todo o caso, as ordens dadas pelo comandante não caíram em saco roto. O boieiro chegou a ponteira da aguilhada ao cachaço dos bois, com efectivo e imediato resultado gritou umas palavras de incitamento no dialecto comum, um esticão brusco que se manterá talvez durante os próximos dez minutos ou um quarto de hora, assim o boieiro não deixe esmorecer a chama.
Acamparam já com o sol-posto e as primeiras avançadas da noite, mais mortos do que vivos, famintos mas sem vontade de comer, tal era a fadiga. Felizmente, os lobos não voltaram. Se o tivessem feito poderiam ter circulado a seu bel-prazer pelo meio do acampamento e escolher, entre os cavalos, a mais suculenta vítima. É certo que um roubo tão desproporcionado não poderia prosperar, um equino é um animal demasiado grande para ser levado de arraste assim sem mais nem menos, mas se tivéssemos de descrever aqui o susto dos expedicionários quando dessem pela presença dos lobos infiltrados, de certeza não encontraríamos palavras bastante fortes, seria um salve-se quem puder. Dêmos graças ao céu por termos escapado a essa prova. Dêmos também graças ao céu porque já se avistam as imponentes torres
do castelo, dá vontade de dizer como o outro, Hoje estarás comigo no paraíso, ou, repetindo as palavras mais terrenais do comandante, Hoje dormiremos debaixo de telha, é bem certo que os paraísos não são todos iguais, há-os com huris e sem huris, porém, para sabermos em que paraíso estamos basta que nos deixem espreitar à porta. Uma parede que proteja da nortada, um telhado que defenda da chuva e do sereno, e pouco mais é preciso para viver no maior conforto do mundo. Ou nas delícias do paraíso.

Figueira de Castelo Rodrigo, II

Atraída pela exibição equestre gratuita e pela possibilidade de que o elefante também saísse, uma boa parte da população de figueira de castelo rodrigo, homens, mulheres, infantes e anciãos, tinha vindo juntar-se na praça, o que levou o comandante a dizer em voz baixa ao alcaide, Com toda esta gente a assistir, as hostilidades são pouco prováveis, Também penso isso, mas com o austríaco nunca se sabe, Teve más experiências com eles, perguntou o comandante, Nem más nem boas, nenhumas, mas sei que o austríaco existe sempre e isso, para mim, é quanto basta. Embora tivesse acenado com a cabeça em sinal de inteligência, o comandante não conseguiu captar a subtileza, salvo se se tomar austríaco como sinónimo de adversário, de inimigo.

Mal entrou no castelo, ordenou que se apresentasse o sargento, a quem deu instruções sobre o destino próximo dos trinta homens que tinham vindo para os trabalhos pesados. Uma vez que haviam deixado de ser necessários, ficariam ainda a descansar amanhã, mas regressariam no dia seguinte,
[...]
No solo, estendidas, havia paveias de feno com espessura suficiente para que as asas das omoplatas não tivessem de sofrer demasiado no contacto com a dureza intratável das lajes. Ensarilhadas,as espingardas alinhavam-se ao longo de uma parede.
[...]
Um silêncio respeitoso reinou durante alguns segundos na grande sala de pedra. Os soldados presentes, embora não muito experimentados em guerras, baste dizer que os mais novos nunca haviam cheirado a pólvora nos campos de batalha, assombravam-se no seu foro íntimo pela coragem de um irracional, uma vaca, imagine-se, que havia mostrado possuir sentimentos tão humanos como o amor de família, o dom do sacrifício pessoal, a abnegação levada ao extremo.

Figueira de Castelo Rodrigo, III

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Figueira de Castelo Rodrigo, IV

Quando a tradução terminou, o comandante alçou a voz poderosa, acostumada a não ser escutada por ouvidos desatentos e muito menos desobedecida, Sabeis por que estamos aqui, sabeis que viemos buscar o elefante para levá-lo connosco a valladolid, é importante que não percamos tempo e comecemos já com os preparativos da transferência, de modo a que possamos partir amanhã o mais cedo possível, são estas as instruções que recebi de quem podia dar-mas e que farei cumprir de acordo com a autoridade de que me encontro investido.
[...]
Diga-lhe então, pediu o comandante português, que para mim será uma honra acompanhá-lo na visita. Enquanto o alcaide ia e vinha, o comandante português deu ordem ao sargento para mandar formar a tropa em duas alas. Adiantou o cavalo quando a manobra ficou concluída, até o pôr ao lado da égua do austríaco, e pediu ao intérprete que traduzisse, Seja outra vez bem-vindo a castelo rodrigo, vamos ver o elefante.

Figueira de Castelo Rodrigo, V

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Figueira de Castelo Rodrigo, VI

Quando, de cabeça levantada, voltemos para casa, poderemos ter a certeza de que este dia será recordado para todo o sempre, de cada um de nós se há-de dizer enquanto houver portugal, Ele esteve em figueira de castelo rodrigo.
[...]

Regresso

O elefante gostou do que viu e fê-lo saber à companhia, embora em nenhum ponto o itinerário que escolhemos tivesse coincidido com aquele que a sua memória de elefante zelosamente guardava. Que haviam, disse, ele e os soldados de cavalaria, subido para o norte quase a pisar a linha da fronteira, por isso eram os caminhos tão ruins. Comparada com a viagem de então, esta foi um passeio: boas estradas, bons alojamentos, bons restaurantes, o próprio arquiduque, ainda que habituado aos luxos da Europa central, teria ficado surpreendido. A expedição foi para trabalhar, mas disfrutou como se andasse de férias. Até os sofridos câmaras, obrigados a carregar com equipamentos de sete quilos ao ombro, estavam encantados. O interessante é que nem os nossos amigos, nem os jornalistas conheciam os lugares que visitámos. Melhor para eles, que dali levaram muito que contar e recordar. Começámos por Constância, onde se crê que Camões viveu e teve casa, de cujas janelas terá visto mil vezes o abraço do Zêzere e do Tejo, aquele suave remanso da água na água capaz de inspirar os versos mais belos.

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Dali fomos para Castelo Novo para ver a Casa da Câmara, do tempo de D. Dinis, e o chafariz joanino que lhe está pacificamente encostado. Vimos também a lagariça, essa espécie de dorna ao ar livre para a pisa das uvas, cavada na rocha bruta em tempos que se acredita serem os da pré-história.

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Dormimos no Fundão, terra de cerejas por excelência, e na manhã seguinte ala para Belmonte onde nasceu Pedro Álvares Cabral, direitos à igreja de S. Tiago, da minha particular devoção. Ali está uma das mais comovedoras esculturas românicas que existem na face da terra, uma pietà de granito toscamente pintado, com um Cristo exangue deitado sobre os joelhos da sua mãe. Ao pé desta estátua, a célebre pietà de Miguel Ângelo que se encontra no Vaticano não passa de um suspiro maneirista. Não foi fácil arrancar o pessoal à extática contemplação em que havia caído, mas lá os conseguimos levar aliciando-os com o enigma arquitectónico de Centum Cellas, essa construção inacabada cuja problemática finalidade foi e continua e ser objecto das mais acaloradas discussões. Seria uma torre de vigia? Uma hospedaria para viajantes de passagem? Uma prisão, embora o neguem as rasgadas janelas que subsistem? Não se sabe.

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Saciada a fome de imagens, o destino seguinte seria Sortelha, a das muralhas ciclópicas. Ali nos caiu em cima uma trovoada como poucas, relâmpagos em rajada, trovões a condizer, chuva a cântaros e granizo que era como metralha. Não chegámos a beber o café, a corrente eléctrica sumira-se. Uma hora foi o que demorou o céu a escampar.

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Ainda chovia quando entrámos no autocarro, a caminho de Cidadelhe, sobre o qual não escreverei. Remeto o leitor interessado e de boa vontade para as quatro ou cinco páginas que lhe dediquei na Viagem a Portugal. Os companheiros arregalaram os olhos perante o pálio de 1707, depois foram ver a aldeia, os relevos nas portas das casas, os caixotões da igreja matriz com retratos de santos. Vinham transfigurados e felizes.

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Agora só faltava Castelo Rodrigo. O presidente da câmara municipal de Figueira de Castelo Rodrigo esperava-nos na ponte sobre o Côa, a pouca distância de Cidadelhe. De Castelo Rodrigo eu conservava a imagem de há trinta anos, quando lá fui pela primeira vez, uma vila velha decadente, em que as ruínas já eram só uma ruína de ruínas, como se tudo aquilo estivesse a desfazer-se em pó. Hoje vivem 140 pessoas em Castelo Rodrigo, as ruas estão limpas e transitáveis, foram recuperadas as fachadas e os interiores, e, sobretudo, desapareceu a tristeza de um fim que parecia anunciado. Há que contar com as aldeias históricas, elas estão vivas. Eis a lição desta viagem.

José Saramago

5 Comentários

5 respostas até agora ↓

  • Alberto Diez Serna // Julho 28, 2009 às 18:59 | Responder

    Queridos José y Pilar: Por cuarta vez hemos estado, mi mujer Amaya y yo, recorriendo Portugal. esta vez hicimos lo contrario de lo que recomiendas en “Viaje a Portugal” y planeamos el viaje siguiendo tus comentarios en esa preciosa obra.
    Me parece otra buena idea hacer este recorrido del elefante y comienzo los preparativos.
    Gracias por tus libros, libros que leo en gran parte gracias a las traducciones de Pilar.
    Y como siempre los mismos deseos que tengo para mí:
    ¡Salud y República! Ibérica y Federal, por supuesto.
    Un cariñoso abrazo. Alberto

  • Paco Cuadrado // Agosto 12, 2009 às 17:24 | Responder

    Querida Pilar: te escuché por la radio y tienes mucha razón, la piedad es una maravilla, como me hubiera gustado hacer esa ruta con vosotros.
    Muchas felicidades a los dos y haremos esa ruta.
    con todo mi cariño Paco Cuadrado

  • Candida Calvo // Agosto 14, 2009 às 17:15 | Responder

    En septiembre de 1996 viajé por primera vez con mi marido a Portugal, llevaba conmigo “Viaje a Portugal” ademas de todos los parajes descritos en las novelas de Saramago, sobre todo los rincones de Lisboa recorridos por Ricardo Reis.
    Tras visitar Lisboa, Sintra, Cascais, Alcobaça… decidimos un cambio de ruta, pasariamos los ultimos dias de nuestro viaje en Guarda (la ciudad mas alta de Portugal y donde las mujeres -dice Saramago y pudimos comprobar- son muy guapas. En estos tres dias conocimos bien Guarda y la region y nos encanto un lugar que entonces no sabiamos que habia sido testigo del paso de Salomon: Sortelha. Alli recorrimos con toda libertad lo que queda del castillo medieval, compramos unas cestitas a una anciana y saboreamos el silencio de sus calles. Quedamos encantados con la magia y el aislamiento del lugar.
    Me llamo la atencion lo cerca y lo lejos que estaba esa region de Salamanca, donde habia pasado muchos veranos de mi infancia y en cuya universidad habia estudiado durante mucho tiempo de espaldas a Portugal.
    Gracias Saramago por acercarme a tu tierra y tu cultura.
    Candi
    P.S. Perdonad la falta de acentos, estoy escribiendo desde un ordenador italiano.

  • MARCO TULIO F. CUNHA // Agosto 21, 2009 às 19:11 | Responder

    Estimados amigos lectores de José Saramago, aprovecho este espacio para sugerir a mis amigos españoles, en seguir no solo las pisadas del elefante pero ya que refieren los pasos dados por nuestro estimado José Saramago en Viaje a Portugal, que visiten y conoscan los pueblos de la provincia de Tras os Monte nomeadamente la ciudad de Miranda do Douro, frontera con provincia de Salamanca. un saludo

  • Aurélio Barbato // Agosto 23, 2009 às 22:08 | Responder

    Congratulações

    Muito interessante

    Aurélio Barbagto

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